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Sep 22, 2026   |   Blog Post

Transformar a troca de experiencias entre pares em acção concreta

Composite of four photos. Photo credit: Arsenio Manhice

Nilsa Mabunda

Learning Manager

Arsenio Manhice

Manager, Advocacy & Communications

Tom Foot

Senior Manager, Communications

This article was originally published in English.

Em Julho, a VillageReach alcançou um marco importante ao transformar a aprendizagem entre pares para melhorar os resultados de vacinação, passando das ideias à acção. O programa Aprendizagem entre Pares (P2P) para Melhorar a Cobertura da Vacinação contra o HPV, implementado em colaboração com a BCL, permitiu que profissionais de saúde, professores e actores comunitários colocassem em práctica os conhecimentos e competências adquiridos através da iniciativa e iniciassem esforços de base comunitária para melhorar o conhecimento, o acesso e a procura pela vacinação contra o HPV.

Este trabalho ocorre num momento importante para a vacinação contra o HPV. A nível mundial, apenas 33% das raparigas receberam pelo menos uma dose da vacina contra o HPV em 2025 — muito abaixo da escala necessária para alcançar a meta da Organização Mundial da Saúde que ambiciona ter 90% das raparigas totalmente vacinadas contra o HPV até aos 15 anos de idade, até 2030. Abordagens que capacitam os profissionais de saúde e actores comunitários influentes para partilhar conhecimentos, responder às preocupações e aprender uns com os outros podem ajudar a transformar a disponibilidade da vacina em vacinação. 

Ao nível comunitário, a VillageReach distribuiu materiais de Informação, Educação e Comunicação (IEC) às seis unidades sanitárias de intervenção nos distritos de Vanduzi e Sussundenga, ambos na Província de Manica. Estes materiais foram desenvolvidos através de um processo participativo e guiado pela comunidade, que envolveu a identificação das necessidades, a definição das mensagens e a criação de ferramentas visuais prácticas. Os materiais estão a apoiar os profissionais de saúde, professores e actores comunitários na educação dos jovens e das suas famílias sobre o HPV e na resposta a questões, por vezes difíceis, delicadas e complexas, relacionadas com a vacinação contra o HPV. 

Simultaneamente, a VillageReach supervisionou e capacitou 277 profissionais de saúde, actores comunitários e professores durante a fase inicial das actividades comunitárias de geração de demanda. A formação está a ajudar os participantes a conduzir conversas prácticas com diferentes audiencias nas suas comunidades e a utilizar os materiais IEC para reforçar a compreensão sobre a vacinação contra o HPV e incentivar a sua adesão. 

A VillageReach e os seus parceiros das áreas da Saúde e Educação estão a utilizar a plataforma IA Learn da Immunization Academy, desenvolvida pela BCL, para proporcionar aos participantes uma formação flexível e assíncrona, que pode ser concluída em paralelo com as suas actividades diárias. Esta aprendizagem digital é complementada por sessões de discussão entre pares que reúnem os participantes para reflectirem sobre o que estão a aprender, partilharem experiências de implementação, identificarem soluções para os desafios encontrados e desenvolverem planos de acção para aplicar os novos conhecimentos nas respectivas unidades sanitárias. 

Em conjunto, estas actividades estão a contribuir para a ligação entre a aprendizagem digital, a troca de experiências entre pares e o engajamento das comunidades, proporcionando aos participantes tanto os conhecimentos como as ferramentas necessárias para colocar essa aprendizagem em práctica. 

“A implementação destas actividades ajudará a consolidar a aplicação práctica dos conhecimentos adquiridos pelos profissionais de saúde na plataforma IA Learn, assegurar a disponibilidade de materiais de IEC nas unidades sanitárias para posterior distribuição aos actores comunitários e professores e reforçar a qualidade da implementação das actividades comunitárias, promovendo assim uma geração de demanda mais consistente”, afirmou Nilsa Mubunda, Gestora de Aprendizagem P2P da VillageReach. 

Aprendizagem colectiva e acção sob-liderança local

À medida que a Iniciativa Aprendizagem entre Pares é implementada em Moçambique e na Nigéria, a VillageReach está a explorar de que forma a aprendizagem colaborativa pode contribuir para fortalecer os sistemas de imunização. 

Implementada em colaboração com os Ministérios da Saúde desde 2025, esta iniciativa está a testar uma abordagem na qual o fortalecimento das capacidades dos profissionais de saúde não se limita à transferência de conhecimentos, mas também cria oportunidades para que pessoas que enfrentam desafios semelhantes aprendam umas com as outras, testem soluções nos seus próprios contextos e adaptem aquilo que funciona. 

Existe uma evidência crescente desta abordagem nos sistemas de saúde africanos. Um estudo sobre mentoria entre pares para profissionais de imunização no Quénia apontou melhorias no conhecimento em 11 das 12 áreas técnicas num dos municípios de intervenção e em 10 das 12 áreas noutro. Da mesma forma, pesquisas realizadas na Etiópia, no Gana e em Moçambique destacaram a troca entre pares e as oportunidades de aprendizagem e adaptação no âmbito dos cuidados de saúde primários de rotina como importantes contributos para o fortalecimento eficaz das capacidades. 

A iniciativa P2P concretiza este princípio através de duas abordagens complementares: 

Aprendizagem em Grupos de Pares

Os profissionais de saúde participam em grupos de aprendizagem híbridos utilizando a plataforma IA Learn da Immunization Academy, desenvolvida pela Bull City Learning. Os participantes concluem módulos prácticos sobre geração de demanda, monitoria e avaliação, comunicação com cuidadores e outras competências essenciais de imunização.

A interacção entre pares reforça a aprendizagem digital, criando espaço para discutir como os novos conhecimentos se aplicam aos desafios do dia-a-dia e ajudando os profissionais a ganhar confiança para os colocar em práctica.

Troca de Aprendizagem

Paralelamente a esta aprendizagem estruturada, o projecto utiliza uma abordagem de Design Centrado no Ser Humano (HCD) para colocar a experiência local no centro da resolução de problemas. Profissionais de saúde, membros da comunidade, representantes do sector da educação e líderes locais trabalham em conjunto para identificar as causas profundas da hesitação em relação à vacina contra o HPV e co-criar soluções prácticas concebidas para as suas comunidades.

Uma mensagem que emergiu do processo de co-criação na Província de Manica foi que o fortalecimento das capacidades da comunidade é essencial para aumentar a confiança na vacina contra o HPV. 

Essa aprendizagem traduziu-se directamente em acção. A iniciativa investiu na formação de uma ampla rede de actores comunitários, que agora lideram actividades de geração de demanda nas comunidades participantes. Estas actividades incluem palestras de saúde comunitárias, visitas domiciliárias e envolvimento local para abordar mitos e concepções erradas sobre a vacinação contra o HPV. 

O processo de co-criação também identificou a necessidade de ferramentas prácticas que pudessem tornar estas conversas mais envolventes e impactantes. Em resposta, o projecto desenvolveu uma série de materiais IEC de fácil utilização e com recurso a imagens, para apoiar profissionais de saúde, APSs, Mães Modelo, professores e adolescentes durante as palestras de saúde. 

Os materiais ajudam a tornar as discussões mais interactivas, melhorar a compreensão das mensagens-chave e permitir que os membros da comunidade estabeleçam uma ligação visual mais forte com a informação sobre o HPV, a prevenção do cancro do colo do útero e os benefícios da vacinação. 

Em conjunto, as duas vertentes da abordagem P2P criam um percurso que vai além da aprendizagem, passando pela troca entre pares, até à acção concebida localmente. Os profissionais de saúde reforçam as suas competências, os pares ajudam-se mutuamente a transformar conhecimentos em práctica e as próprias comunidades contribuem para definir como a informação sobre a vacinação é compreendida e partilhada. 

Sinais de progresso

Os resultados iniciais são encorajadores. Os dados de participação demonstram a alto envolvimento nas comunidades participantes, constituindo um passo importante para alcançar mais adolescentes, famílias e actores comunitários de confiança com informação correcta sobre a vacinação contra o HPV. 

As actividades de formação da Troca de Aprendizagem em Manica alcançaram 277 participantes:

  • 24 Técnicos de Saúde
  • 44 APS
  • 45 Professores
  • 108 Cuidadores / Mães Modelo
  • 45 Adolescentes (Girl Champions)
  • 11 Co-facilitadores do Ministério da Saúde / PAV 

Melhorar a adesão à vacinação contra o HPV implica capacitar toda a comunidade — a partir dos professores e cuidadores até adolescentes promotores e agentes comunitários de saúde — com conhecimentos, confiança e ferramentas práticas para apoiar uma tomada de decisão informada e responder às preocupações relacionadas com a vacinação. 

Os primeiros resultados da componente de Aprendizagem em Grupos de Pares também apontam para ganhos entre os próprios profissionais de saúde. Noventa e um profissionais de saúde em Moçambique e na Nigéria estudaram o mesmo currículo sobre HPV, recebendo apoio através de três modelos diferentes: grupos de pares presenciais, grupos de pares virtuais e conversas individuais com a Maya, uma mentora baseada em inteligência artificial. 

Nas diferentes formas de interação, estão a surgir padrões semelhantes no que diz respeito à confiança dos profissionais de saúde, à preparação para aplicar a aprendizagem e às competências técnicas. Algumas das áreas que os participantes inicialmente consideravam mais difíceis foram as que apresentaram maior melhoria. Conversar com adolescentes sobre a vacinação contra o HPV, verificar a qualidade dos relatórios de imunização e monitorar o engajamento comunitário estavam entre as competências com pontuações mais baixas nas avaliações prácticas iniciais. Nas avaliações finais baseadas em cenários, os participantes nestas áreas alcançaram níveis de domínio de 93% a 95%. 

Os comentários abertos sugerem que a aprendizagem também está a começar a traduzir-se em acções concretas. Os profissionais de saúde descreveram planos para chegar às raparigas que não frequentam a escola, envolver os líderes comunitários, aplicar no terreno as competências recentemente adquiridas e desenvolver ferramentas prácticas para acompanhar e referenciar as raparigas que ainda não foram vacinadas.

Estas constatações iniciais sugerem que a aprendizagem entre pares pode assumir diferentes formas. As discussões presenciais proporcionam uma interação mais próxima, os grupos virtuais possibilitam a conexão entre pares, mesmo à distância, e a mentoria apoiada por IA oferece suporte e apoio individual sempre que necessário. As tendências semelhantes observadas nos diferentes modelos sugerem que o formato pode ser adaptado às circunstâncias dos profissionais de saúde, incluindo a disponibilidade de conectividade, os horários e o nível de facilitação disponível.

À medida que a implementação das intervenções co-criadas avança, a VillageReach, em colaboração com os Ministérios da Saúde e parceiros, continuará a aprender com estas abordagens e a analisar a sua contribuição para o fortalecimento dos sistemas de vacinação através da inovação, da aprendizagem entre pares e de soluções orientadas pelas comunidades. O potencial da abordagem P2P reside na capacidade de fazer com que a aprendizagem se propagar: das plataformas digitais para as discussões entre pares, das unidades sanitárias para as comunidades e em última instância, para as conversas e decisões que podem ajudar mais crianças e adolescentes a receber uma vacina que pode salvar vidas.

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